Review: Mestre Gil de Ham

Um conto para crianças de 8 a 80 anos...
Hoje a coluna manjabooki traz uma resenha super especial de um dos livros - não tão conhecidos - do grande Tolkien: Mestre Gil de Ham.
Mestre Gil de Ham é um livro baseado numa nas histórias que Tolkien contava para os seus filhos. Publicado como livro em 1949, demorou 20 anos para ter sua versão definitiva, crescendo em complexidade, como as demais obras do escritor.
O filho mais velho de Tolkien, John, recorda na introdução que a história foi contada pela primeira vez quando a família foi apanhada por uma tempestade depois de um piquenique e se abrigou debaixo de uma ponte. A primeira versão de Farmer Giles, escrita à mão em 26 páginas, era muito mais simples e narrada num tom pessoal, tal qual era a história oral. O livro deveria ter sido publicado bem antes, mas com o enorme sucesso alcançado por “O Hobbit”, em 1936, Farmer Giles teve sua publicação atrasada, pois os editores esperavam a continuação das aventuras dos Hobbits.
O livro narra a história de AEgidius Ahenobarbus Julius Agricola de Hammo, pois as pessoas recebiam vários nomes naquela época. No entanto, podemos tratá-lo pelo nome vulgar e chamá-lo simplesmente de Mestre Gil de Ham.
Ham era uma aldeia e o livro cuida de localizá-la às margens do rio Tamisa. Mestre Gil tinha também um cachorro, chamado Garm, que sabia falar a língua do povo, mas tinha muito medo do seu dono. Na realidade, Garm era um cachorro covarde. Em outra parte do pequeno reino, um gigante com pouca inteligência, míope e com um sério problema de surdez, sai de sua casa nas montanhas e acaba indo parar perto da propriedade do Mestre Gil. Este, de posse do seu bacamarte, consegue acertar o nariz do gigante, que foge de volta para as montanhas.
Desta forma, Mestre Gil ganhou fama e a história acabou indo para nos ouvidos do rei do pequeno reino, que lhe ofereceu um banquete e o presenteou com uma espada velha que estava guardada entre seus tesouros há muito tempo. Mal sabia o rei que a espada era a famosa Caudimordax, ou morde cauda, uma espada muito poderosa de tempos antigos. Contudo, não foi só o rei que ouviu a história e a fama de Gil. Conta-se que um velho dragão, chamado Chrysophylax Dives, ouviu os boatos e decidiu dar atenção a história. É claro que eu não vou contar aqui o que aconteceu exatamente para não estragar a experiência. O livro, apesar de ser um conto para crianças, possui todas as características de um bom conto de fadas e uma boa aventura épica simples, com uma pitada de humor, drama, ação e a categoria de Tolkien para contar uma boa história.
Vale destacar que a edição da Martins Fontes possui duas versões impressas no mesmo livro. Nele encontramos a versão completa da história e a versão reduzida, muito próxima da versão oral que Tolkien contava para os filhos. A organização, conduzida por Christina Scull e Wayne G. Hammond é exemplar. Contaram também com a ajuda dos filhos de Tolkien, principalmente de Christopher, que já participou na composição de livros como o Silmarilion e Os Filhos de Hurin, baseados nos manuscritos do pai. A edição conta com ilustrações muito boas de Pauline Baynes.
Mestre Gil de Ham é um livro muito bom, com uma leitura fácil e que deve agradar não somente aos fãs de Senhor dos Anéis, mas a todos os amantes de fantasia e contos de fadas.
