Crítica: [Especial 007] Cassino Royale

Daniel Craig trouxe um James Bond mais humano e próximo da nossa realidade.
Após inúmeras criticas sobre seu tamanho, genética e beleza, Daniel Craig trouxe um James Bond completamente diferente dos anteriores. Charmoso, sem parecer canastrão, errando como qualquer ser humano e frio como um verdadeiro espião deve ser.
“Cassino Royale” traz um Bond que acaba de ser promovido a “00”, sem a pompa e a classe dos filmes anteriores, um personagem mais vulnerável, cheio de duvidas e agindo com o coração. Mas piedade é a última coisa que ele sente pelos seus inimigos. Levando a famosa licença para matar ao pé da letra, ele passa por cima de tudo e todos. Bem mais próximo de qualquer um de nós, vemos um Bond que transpira, que apanha, se suja, se cansa... E se apaixona.
Em sua primeira missão como 007, Bond é levado até Madagascar com o objetivo de espionar o terrorista Mollaka. Acontece que nada sai como planejado, e após uma perseguição pela cidade, Bond acaba explodindo uma embaixada. Aí vemos um Bond recebendo uma bronca de M e abaixando a cabeça, algo nunca visto em nenhum dos 20 filmes anteriores.
Atrás de novas informações sobre o grupo terrorista, ele viaja até Bahamas. O MI6 decide enviá-lo para enfrentar o vilão Le Chiffre, um banqueiro de organizações terroristas espalhadas pelo mundo, em uma partida de pôquer. Se Bond vencer, desmorona toda sua organização. Mas, para essa missão, M decide enviar Vesper Lynd para acompanhá-lo.
Baseada na história original, Vesper é uma agente da Força Tarefa de Ação Financeira do Tesouro da Sua Majestade. Ela é enviada para certificar-se de que James Bond usará o dinheiro que lhe foi dado pelo governo para o fim destinado.
Ian Fleming, escritor da franquia 007, deu esse nome à personagem a partir de um trocadilho com o nome de Berlin Ocidental em inglês 'West Berlin' (chamavam de Vesper Lynd Westlerlin). Exatamente como a cidade de Berlim na época da Guerra Fria, a personagem de Eva Green é uma mulher com sua lealdade dividida ao meio. Ela trai, se apaixona e morre por James Bond. Desde o inicio, Vesper se mostra uma mulher forte e independente, completamente diferente do tipo de mulher que James Bond está acostumado.

Em uma das cenas mais divertidas do filme, Vesper e Bond estão dentro de um carro, indo em direção ao Cassino. A partir desde diálogo bem escrito, percebemos que existe uma conexão entre os personagens recém-apresentados.
A partir da cronologia dos livros (o James Bond interpretado por Daniel Craig reinicia a franquia 007, não tendo nenhuma ligação com os filmes anteriores), Vesper é o motivo de James Bond não se envolver romanticamente com nenhuma mulher.
A nova franquia acertou ao apresentar um filme mais pé no chão. Sem bugigangas tecnológicas, carros invisíveis ou surreais pulos de aviões, penhascos ou abismos. Logo no inicio do filme, vemos Bond espancar um vilão e matar outro a sangue frio. Nessa sequência, o diretor Martin Campbell dita o ritmo e a violência que será mostrada no filme. Mesmo nos momentos menos acelerados, a tensão é predominante.
O vilão Le Chiffre, interpretado brilhantemente por Mads Mikkelsen, se apresenta muito diferente dos vilões anteriores. Ele não quer destruir o mundo ou dominá-lo. Como banqueiro de grandes organizações terroristas, quer apenas sua parte nos juros. Uma representação mais atual, onde o dinheiro é mais importante. Apesar de identificado como o grande vilão do filme, Le Chiffre é apenas uma única pessoa dentro de uma grande organização, bem maior do que apenas ganhar alguns milhões em um jogo de pôquer para se livrar de uma divida.

Apesar de o roteiro trazer o filme mais próximo da realidade, as famosas cenas de ação existem, com perseguições a pé e de carro, brigas a mão livre e tiroteios.
Apesar de uma nova e diferente franquia, “Cassino Royale” é o renascimento de uma lenda do cinema, com apresentação de valores mais condizentes com a nossa realidade. Um jeito perfeito para apresentar o famoso agente para uma nova geração que, com toda certeza, se tornou fã de Bond, James Bond.

