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Review: The Dark Knight Rises

Escrito por Shaka. Postado em Reviews

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Imagem do artigo - Review The Dark Knight Rises

Não é somente ÉPICO...é MAJESTOSO!

Já aviso que, apesar de não conter spoilers, o texto será uma bíblia. Até porque, não haveria outra forma de expressar tudo que senti assistindo ao filme duas vezes (pré-estreia e depois em IMAX). Aliás, a experiência do IMAX é incrível, ainda mais em um filme que teve boa parte das cenas (ou todas, não sei) gravadas com equipamento especial para o formato. Mas, poderia ser melhor. No que diz respeito ao único IMAX encontrado no Rio de Janeiro até o momento da publicação deste post, o espaço entre a tela e a última filera de baixo é muito pequeno, e as 4 últimas fileiras inferiores nem deveriam existir (foi um sacrifício pra quem assistiu de lá).

Finalmente podemos dizer que filmes de heróis podem ser levados a sério. E quando digo sério, não é uma questão de desmerecer o trabalho alheio, mas de que principalmente os críticos e as premiações não reconhecem o valor moral que uma história adaptada dos quadrinhos pode oferecer.
"The Dark Knight Rises" ("O Cavaleiro das Trevas Ressurge") é um marco da história do cinema, pois consegue elevar seu próprio padrão por 2 vezes, e mostrou que um filme sobre heróis não precisa ser "animadinho" ou completamente cheio de ação, se esquecendo de se aprofundar na história.

Som

Decidi falar primeiro sobre o que achei mais importante. A trilha sonora é do sempre inspirado Hans Zimmer é simplesmente impecável, "imersiva" do jeito que uma trilha sonora não consegue ser desde os clássicos filmes dos anos 80/90.

É possível reparar nas nuances sutis que fazem distinção até mesmo das cenas de cada personagem. Por exemplo, em algumas cenas com Selina Kyle, somos apresentados a um som com uma presença marcante de piano, que considerei uma típica referência para uma ambientação no estilo anos 40 (ou próximo disso), que acaba refletindo na personagem, que tem seu estilo elegante de se movimentar ainda mais destacado.

Em contrapartida, assim como fez em "Inception" ("A Origem" - com trecho de uma música de Edith Piaf), Nolan e Zimmer utilizaram, nos momentos de tensão e/ou ação, uma "base" sonora que foi pouco modificada e embutida em diversas trilhas diferentes. Aquela marcação do tipo "tambor" que parece uma mania entre as produções de cinema atuais rs.

Mas o que mais ME impressionou foram as cenas onde o som foi constituído de uma único instrumento dramático e, principalmente, onde NÃO HOUVE som. Sim, um diálogo entre Bruce Wayne e seu fiel mordomo/amigo Alfred, nos foi apresentado completamente limpo de sons ambientes ou trilhas especiais. Ou, no ápice das lutas entre Batman e Bane, onde temos apenas os sons dos gritos, dos socos, e dos objetos cenográficos que são quebrados.

Essa á trilha de TDKR. Uma das mais impressionantes que já tive o prazer de escutar, e um das poucas da atualidade que farei questão de lembrar.

Fotografia

Mostrar muito de Ghotam City tem suas vantagens. Apesar de ter achado que o cenário onde uma perseguição em TDKR foi o mesmo cenário de uma perseguição em TDK, a fotografia desse filme foi um absurdo de ótima. Cenas simples, como Bruce Wayne saindo debaixo de uma sombra ao falar com Selina Kyle, como Bane em fazendo um discurso em cima de um veículo, como a perseguição da polícia ao Batman, e outras, foram tão cuidadosamente fotografadas, que parecem ter levado meses apenas analisando ângulos, cores, iluminação, contraste e saturação.

As cenas feitas a partir da traseira do Batpod são lindas desde o final de TDK onde, propositalmente, uma luz forte foi colocada contra a câmera, mas não diretamente nos nossos olhos, pois a figura do Batman em sua moto esteve sempre ao centro. A iluminação também contribuiu muito para a bela fotografia da cena da primeira luta entre Batman e Bane. Não temos takes muito longos por motivos óbvios na gravação de uma luta, o que não impede uma bela fotografia.

Roteiro

Se ficaram questionamentos em aberto, pode ter a CERTEZA de que nada mais deixa de ser resolvido/fechado em TDKR. Eventos de Batman Bagins são trazidos à tona em todos os momentos de TDKR. Para quem ficou chateado por não haver nem mesmo uma citação ao Coringa, explico. Christopher Nolan já havia dito que não faria menção alguma no terceiro filme para manter o trabalho de Heath Ledger intacto.

Mas, se mesmo assim você estiver pensando "Ele não pode ter simplesmente sumido! Cadê o Joker?, o colecionável "The Dark Knight Manual" parece explicar o que aconteceu. Em TDKR, temos a prisão Blackgate, que abriga praticamente toda a corja de malfeitores de Gotham devido a uma Lei inspirada pela morte de Harvey Dent. O Asilo Arkham, antes referência como prisão dos mais temíveis dos bandidos, agora abriga praticamente apenas o Coringa para dar conta do recado rs. É uma história plausível, se pararmos pra pensar no game Arkham Asylum.

Não há desperdício nos diálogos. Praticamente nada é descartável ou desnecessário. As piadas são incrivelmente sutis, e a graça está mais nisso do que no efeito de risadas que pudessem causar. É difícil acreditar em um roteiro tão consistente, envolvente e necessário.

Elenco

Simplesmente não preciso falar de Morgan Freeman e Michael Caine, apesar deste segundo ter sido muito mais relevante e dramática de forma correta.
Anne Hathaway sempre esteve entre minhas jovens prediletas, mas eu seria incapaz de dizer que ela conseguiria fazer o que fez no filme. Todos falavam da dificuldade de fazer páreo para a Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer, que realmente foi bem marcante. Mas Hathaway nos apresentou uma Selina Kyle com mais mais elegância no lugar do erotismo. A pitada sensual estava presente, mas de uma maneira mais discreta (o que, na minha opinião, deixa um ótimo gostinho de "quero mais"). Ela é linda, e dissimulada como eu não imaginei que pudesse ser.

No final, acho que não é justo comparar as atuações de Anne Hathaway e Michelle Pfeiffer. As duas entregaram excelentes personagens de formas diferentes. Acho que é uma questão mais de gosto pessoal do que de merecimento por parte de uma delas.

Tom Hardy está irreconhecível em todos os sentidos. Eu já achava que seria um ótimo vilão, mas acho que ganhou um toque a mais de personalidade e inteligência. Talvez seja o "efeito Nolan" sobre os atores rs. Bane pode ser definido como determinado e astuto, mais do que qualquer outra coisa. Gostei do porte físico do personagem, porque foge ao que ele realmente é nas HQs, e isso sim é uma preferência de Nolan. Ele realmente queria evitar utilizar elementos fantasiosos demais nessa trilogia. Sempre disse que teríamos um Batman mais palpável...mais humano e real.

Marion Cotillard foi a minha decepção no elenco. Em inception ela este tão maravilhosa, que não via motivo para que ela não o fosse em TDKR. Mas fiquei com a impressão de que ela esteve abaixo da média, se compararmos com o restante do elenco principal.

Gary Oldman nos entrega um ótimo Comissário Gordon, novamente. Desta vez mais participativo e com a vida mais ferrada do que nunca. Acho que ele é menos infeliz e carrega um fardo menor nas HQs rsrs. Mesmo assim, excelente como sempre, e um ponto de interseção muito forte para os demais personagens.

Joseph Gordon-Levitt já havia provado que é muuuito talentoso em Inception, e em 50/50 (50%). Já espero show dele em cada novo filme. Em TDKR, apesar de ser um personagem chave (nada que alguém não saiba) e ter uma participação efetiva no filme inteiro, não tem dificuldades em interpretar seu personagem, simplesmente porque não é um personagem difícil, está sempre de cara amarrada, possui poucas variações de humor, e etc. Não é uma reclamação (ainda rs), apenas uma observação.

Christian Bale realmente calou minha boca (conforme havia dito nosso amigo Corto de Malta, do Blog Climax). Apenas nesta trilogia, ele precisou ser pessoas completamente diferentes, precisou alterar sua aparência física e sua voz. Normalmente, um ator regular faz isso em filmes diferentes, o que ele também já fez em "Rescue Down" ("O Sobrevivente"), "The Machinist" ("O Operário") e em "The Fighter" ("O Vencedor"). Nestes filmes, suas transformações vão MUITO além do físco ou aparente. Sua entrega visceral aos projetos que abraça é algo que merece ser exaltado. Realmente eu estava errado ao dizer que não o achava um ator completo ainda. Obrigado, Corto! E obrigado, Christian Bale!

Detalhes

Uma frase: Se você já leu as HQs e prestar MUITA atenção nos diálogos, vai matar quase todas as charadas e saber todas as viradas de mesa que acontecem no filme.

Contras

Apesar de os problemas serem completamente esquecíveis e talvez serem coisas que apenas eu notei, eles estão lá! rs

O "Batman Boca Mole" -> A mania de Christian Bale de "largar" o beiço separado pode não ser ruim na pele do Bruce Wayne (apesar de não ser compatível com a elegância do personagem), mas fica PODRE quando ele está na pele do Batman. Em boca fechada não entra mosca! hehe

A "morte de filme B" -> Uma morte chama nossa atenção no filme, mas pela PODRIDÃO da atuação da pessoa. Se foi uma morte clichê e caricata de propósito (como dizem alguns), foi um tremendo erro de escolha. Nem acreditei que o Nolan deixou essa passar. É, praticamente, a pior atuação da trilogia.

O "BoomBox bucal" -> Particularmente, preferi MIL VEZES a voz quase incompreensível do Bane que foi mostrada nos trailers de TDKR, do que a que foi apresentada no filme. Fico CLARA a dublagem diferenciada, que destoou completamente do som ambiente e do nível do volume e qualidade dos diálogos dos demais. Parece que o Bane tem um mini-system portátil de 440 wats PMPO grudado no rosto.

O "falso nome de batismo" -> Essa é mais difícil de comentar sem spoilers, mas posso dizer que um nome de batismo foi inventado para um personagem, para o qual poderiam ter esolhido entre, no mínimo, outros 2 nomes. Aliás, nome de batismo não costuma a ter só o primeiro nome, é uma composição de nomes. #fikdik rsrs. Entendi o propósito de ser mais direto do que subjetivo, mas não gostei do resultado.

É isso galera! Por enquanto, paro por aqui.
Provavelmente teremos um ManjaCast especial sobre TDKR (talvez sobre a trilogia), e aí discutiremos assuntos não abordados aqui. Fiquem atentos pra quando for acontecer, hein!

Inté!

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