Apresentação de personagens e MUITAS perguntas no episódio de estreia.

Fala pessoal!

Estamos iniciando mais uma série em nossas vidas. Semana passada eu trouxe algumas impressões da série como um todo. Agora, vou começar os textos com a análise de cada episódio. Lembrando que PODERÃO OCORRER SPOILERS do episódio, então se você ainda não viu ou se incomoda com isso, pare de ler agora!

S01E01 – The Bone Orchard

Data de lançamento: 30/04 (EUA) / 01/05 (Brasil)
Exibido por: STARZ (EUA) / Amazon Prime (Brasil)

O primeiro episódio da série teve uma ótima recepção, como já dissemos. Com o próprio Neil Gaiman da produção e dirigido por Bryan Fuller que já participou de séries como Pushing Daisies, Heroes, Haniibal e Star Trek: Discovery, o roteiro adaptado se mostra promissor, deixando questionamentos que instigam a curiosidade, porém com aquele de ar de apresentar muitas coisas ao mesmo tempo. Achei corrido, em alguns momentos.

A série começa com um barco aparentemente Viking chegando a um local deserto. Posteriormente descobrimos que o local é a América, antes da colonização. Um bando de homens desembarca na praia deserta, mas logo são recebidos por flechas e são impedidos de acessar o território. Eles decidem ir embora, mas descobrem que não há vento para soprar suas velas.

Os homens decidem apresentar vários tipos de sacrifícios ao vento, na esperança de que possam deixar o local inóspito, mas mesmo após perderem um olho, nada acontece. O líder do bando descobre que eles deveriam lutar entre si para oferecerem a si mesmos como sacrifício, e só assim, os que sobrevivem conseguem partir.

Neste ponto começamos a ser apresentados a temática que da o norte para a série: A mescla de divindades de diversas culturas nos dias atuais.

Não espere por algo como vemos em Percy Jackson. Rick Riordan tem um lado bem mais inocente da coisa. Em American Gods, sexo, drogas e violência são marcas necessárias para o visual bem mais adulto dessa mitologia. No universo da série, os deuses são reais e estão entre nós, mas nem por isso a série passa por algo simples ou juvenil. Muito pelo contrário.

Então somos apresentados a Shadow Moon, o protagonista da série. Ricky Whittle dá vida ao personagem. Shadow está a cinco dias de ser solto da prisão, onde cumpriu pena por três anos. Vemos um pouco da rotina de um presidiário, como ele falando pelo telefone com sua esposa, Laura Moon, interpretada por Emily Browning.

Tudo começa a desandar quando Shadow é chamado pelo diretor da prisão. Lá ele descobre que sua pena foi adiada e que ele seria solto imediatamente, pois sua esposa havia morrido.

Devastado com a notícia, Shadow inicia seu retorno para casa, na pequena Eagle Point. Após ser redirecionado a primeira classe do avião ele tem seu encontro com o segundo protagonista da série.

Aqui tanto nós como Shadow somos apresentados ao Sr. Wednesday. Sim, Quarta-Feira em inglês. O engraçado é que no diálogo, quando Shadow pergunta o nome do homem, ele responde com uma pergunta:

American Gods Season 1 2017
Ricky Whittle (Shadow Moon), Ian McShane (Mr Wednesday) CR: Jan Thijs/Starz

– Que dia é hoje?
– Quarta-Feira – responde Shadow.
– Hum. O meu dia!

Quem não entendeu a referência (Shadow não entendeu), eu explico. Wednesday vem de Wodin’s Day: O dia de Odin. Na mitologia nórdica, Odin era o pai dos deuses. E aqui temos a nossa primeira divindade realmente apresentada.

Na série, os deuses antigos chegaram a América com os colonizadores, escravos, turistas ou peregrinos das mais diversas culturas existentes. Estas culturas trouxeram suas contribuições divinas, mas eles, os deuses, necessitam de adoradores. Não sei se será assim até o final, mas fica claro que um dos focos da série é a disputa pelo poder de não deixar de existir. E mais, impedir que eles sejam substituídos pelas novas divindades. Mais para frente eu comento isso.

Após o desembarque e o momento em que Shadow aluga um carro para ir a Eagle Point, temos uma transição e vemos uma espécie de clube ou restaurante. Um homem bem vestido chega e reconhece uma mulher negra que aparentemente o esperava. Ela parece ter seu 50 anos, assim como o homem, e logo eles decidem ir para um lugar mais reservado. Ela o leva para um quarto vermelho onde sem muitas delongas começam a fazer sexo. No meio do ato a mulher pede que o homem passe a fazer elogios a ela como se ela fosse uma deusa, e assim ele faz. Temos então a cena bizarra em que o homem é literalmente engolido pela mulher. Não vou dar mais detalhes de como é isso. Veja a cena.

A mulher é identificada como Bilquis. Tive que pesquisar essa, pois não me lembrava de nenhuma divindade com esse nome. Na verdade, Bilquis é um dos nomes dados a Rainha de Sabá, personagem bíblica que se consulta com o Rei Salomão. Várias histórias são contadas sobre a personagem, mas no universo da série ela é como uma deusa esquecida, reduzida a uma forma humana decadente (Mumm Rá?) e que precisa dos atos sexuais com adoradores para restaurar sua beleza.

Achei a cena fora de contexto, uma vez que ela não acrescenta nada ao episódio. Bilquis é interpretada pela atriz Yetide Badaki.

De volta a Shadow Moon, ele chega a um bar onde reencontra Wednesday e um homem chamado Mad Sweeney (Pablo Schreiber), que tenta arrancar algumas respostas de Shadow sobre Wednesday.

Mad Sweeney é a forma americanizada do conto irlandês Buile Shuibhne e o único detalhe que sabemos é que ele é um leprechaun. Porém, diferente do que você deve imaginar, ele é enorme e a cena da briga entre Shadow e Sweeney tem proporções épicas.

Temos então a parte do velório. Shadow chega a sua cidade a tempo do velório e enterro de sua falecida esposa. Ali ele descobre que Laura estava tendo um caso. Atordoado com as revelações feitas pela mulher que foi traída por Laura, Shadow começa a andar sem rumo quando um objeto estranho chama sua atenção. Aqui temos o auge do episódio, quando Shadow é transportado para um local inteiramente desconhecido, como se fosse um ambiente virtual, como vemos em Matrix.

Neste ambiente ele conhece o Technical Boy.

E aqui finalmente conhecemos a primeira das novas divindades personificadas por Gaiman e que dão um toque interessante ao roteiro da série. Ele seria a representação divina da Internet, aqui transfigurado num jovem de cabelos rebeldes, fazendo uma alusão extremamente interessante entre o que seria divino antigamente e o que seria nos dias atuais. Antigamente um raio caindo do céu era suficiente para se criar toda uma mitologia. Hoje, temos a nossa vida regida pela internet, com nossas transações bancárias, conversas, redes sociais e praticamente todas as funções sociais dependentes dela. Achei a sacada sensacional e vemos que ele parece ser um dos deuses mais poderosos da série.

Em sua visão, perder milissegundos preciosos falando com humanos é um desperdício, mas Technical Boy deseja saber mais sobre Wednesday. Shadow não reponde suas perguntas, então Internet manda o que ele chama de “suas crianças” cuidarem do rapaz. Seres humanoides mas sem rosto espancam e amarram Shadow pelo pescoço em uma árvore.

O episódio termina com Shadow caindo e vendo as “crianças” no chão, como se alguém os tivesse atacado.

Achei o primeiro episódio muito interessante, principalmente pela dinâmica de ideias apresentadas já nesta primeira parte, porém com outras partes desnecessárias, como a parte da Bilquis.

Para compensar essa distração, a parte do Mad Sweeney, que me pareceu um personagem com muita capacidade de ser explorado, acabou ficando superficial. A cena da briga rendeu bem, mas poderia ter sido melhor.

No geral o episódio me agradou, apresentando esta mesclagem de mitologia e realidade muito bem executada. Não vi clichés que destruam o roteiro, mas é óbvio que eles existem. Nada que acabe com a boa experiência, principalmente se você gostar de mitologia, o que é o meu caso.

E aí, viu o primeiro episódio? O que achou?

Conte para nós.

E não perca a análise dos próximos episódios. O episódio 02 já saiu e ainda essa semana eu trago o review.