Agora parece estar começando de verdade…

Vamos a mais um review da série American Gods aqui no Manjabooki. Estou preparando também o review do livro ao qual a série está sendo baseada, então aguardem por novidades!

S01E03 -Head Full of Snow

Data de lançamento: 14/05 (EUA) / 15/05 (Brasil)
Exibido por: STARZ (EUA) / Amazon Prime (Brasil)

O episódio começa fazendo a apresentação de mais uma divindade antiga. Seguindo os passos das apresentações de Bilquis e Ananse, desta vez a divindade mostrada é Anúbis, deus egípcio dos mortos e do submundo, responsável por guiar as almas das pessoas pelo submundo, além de estar fortemente relacionado ao processo de mumificação adotado pela civilização egípcia.

A cena mostra uma senhora comum que está cozinhando. Ela percebe que deve pegar um ingrediente que está numa prateleira. Para fazer isso ela sobe num banquinho que está em falso em relação ao chão. O banquinho parece que não vai aguentar, mas a senhora pega o item e volta aos seus afazeres.

Neste momento, enquanto conversa com seu gatinho que observa tudo, alguém bate na porta. A senhora pensa ser um dos seus netos, mas ao atender a porta ela se depara com um homem negro de aparência rude, mas demonstrando confiança. Pensando se tratar de um engano, a senhora recomenda que o homem vá embora. Quando ele não vai ela pensa se tratar de um roubo, novamente sendo contestada pelo homem. Ele, por fim, revela ser Anúbis, o deus da morte.

Após a revelação, que segue com a afirmação de que a mulher havia sido ensinada pela avó sobre os deuses egípcios, Anúbis (Chris Obi) mostra que ela está morta e vemos o corpo da mulher caído no chão perto do armário. Entendemos assim que no momento em que ela tentava pegar o ingrediente para a comida que preparava, ela caiu e morreu.

Anúbis leva a mulher para o topo do prédio, mas chegando lá eles se deparam com um deserto anormal que parece ser o local dos mortos. Ele retira o coração da mulher e pesa suas ações com uma balança, dizendo que ela havia feito o bem e ganhado a possibilidade de escolher uma das cinco portas. A cena termina com Anúbis escolhendo por ela, numa espécie de julgamento para definir a entrada da alma em outro mundo.

Extremamente parecido com as apresentações de Bilquis e Ananse, todo o diálogo e o contexto da cena revela que as crenças das pessoas influencia os deuses e seu raio de ação. Pelo menos é essa a ideia que a série pretende passar dentro da sua própria mitologia e isso vem sendo construído aos poucos nos diálogos a cada episódio novo.

Então temos Shadow Moon, nosso protagonista, sendo inserido no episódio. A despeito das diferenças com o livro, acho que as apresentações estão sendo necessárias para apresentar as divindades, mas o objetivo destas apresentações ainda são obscuros. Após 10 minutos disso, vemos Shadow no contexto principal, acordando no meio da madrugada e indo até o terraço do prédio, onde a última das irmãs Zorya aparece finalmente.

Zorya Polunochnaya, interpretada pela bela Erika Kaar, é a irmã que dormia e ao que tudo indica ela acorda apenas na noite, para manter a vigilância ao cão que está preso na constelação da Ursa Maior. Ela diz que a constelação também é conhecida como A Carruagem de Odin. Eu não sabia deste fato e foi muito legal observar a ligação entre a Zoryas, na mitologia eslava, com Odin, na série. Nós vimos no ep 2 que o sr. Wednesday, Odin, conhecia as Zoryas de longa data. No episódio 3 vemos até que ele nutre algum sentimento pela mais velha. Na mitologia da série essa ligação foi feita dessa forma, não que ela exista de fato na mitologia real, podemos assim dizer.

Curiosidade: Na mitologia real, após uma pesquisa simples, descobri que na mitologia eslava haviam apenas duas irmãs Zorya. Gaiman criou a terceira para suas histórias de uma forma tão boa que as três irmãs já foram citadas em trabalhos acadêmicos pelo mundo.

Zorya revela a Shadow algumas coisas e num ato simbólico ela retira a Lua do céu e transforma ela numa moeda, ordenando a Shadow que a guardasse a todo custo.

Quando Shadow acorda atordoado após o encontro que pareceu ser um simples sonho, ele tem a ideia de realizar um novo jogo com Czernobog. Se vocês lembram, o deus eslavo venceu Shadow num jogo de damas e consequentemente ele recebeu a oportunidade de matar Shadow com o martelo de Odin. Shadow convence Czernobog que ele deveria ter a oportunidade de dar duas marretadas, pois com apenas uma ele poderia não conseguir matá-lo. Achei o argumento meio fraco, mas Czernobog concorda, aceitando os termos que diziam que se Shadow vencesse, ele iria seguí-lo até Winsconsin, como Wednesday queria. Shadow vence este segundo jogo e parte com Wednesday no dia seguinte.

Vemos algumas cenas que mostram Mad Sweeney com falta de sorte. O leprachaun percebe que algo está faltando. Falaremos disso mais tarde, mas as cenas são bem engraçadas. Ele recebe um tiro do bar do crocodilo e quando decide pegar uma carona, um cano de ferro entra na cabeça do motorista.

Então temos as cenas de Jinn.

Jinn apareceu no episódio 1, quando Shadow nota um homem de aparência árabe, usando óculos escuros, mas com olhos que pareciam ser de fogo. Na mitologia árabe, um Jinn seria um gênio, um pouco diferente dos gênios das fábulas comuns, embora nas culturas pré-islâmicas, os jinn também realizavam desejos e auxiliavam as pessoas. As origens dessa mitologia se confundem com as origens judaicas de que os Jinn haviam sido criados por Deus e se rebelado contra ele, dando origens aos demônios e ao próprio lucifer.

Na série, Jinn agora é um motorista de táxi que por uma coincidência, ou não, da vida, encontra Salim, um árabe recém chegado aos EUA que passa por dificuldades financeiras. O diálogo dos dois no Táxi, embaixo de uma chuva torrencial define bem isso. Num momento, em que o táxi está parado num engarrafamento, Jinn acaba adormecendo. Salim encosta no motorista e percebe que seus olhos possuem chamas. Ele conta que sua avó contou sobre histórias de um ser com chamas nos olhos e ambos passam a se olhar de uma forma diferente. No curto espaço de tempo vemos que algo surge e quando Jinn deixa Salim na porta do hotel, este convida o motorista para subir.

Temos uma cena sexual que pode ser encarada de diversas formas, mas o próprio Neil Gaiman disse em entrevista que seus personagens não possuem necessariamente um gênero especifico. De fato a cena está sendo comentada com a cena de sexo entre dois homens mais explícita da história. Na mitologia isso está sempre evidente, mas mesmo nas séries onde há sexo envolvido, não me lembro de uma cena sequer parecida. A cena traz um ar da cena de Bilquis no episódio um, mas desta vez o fato de serem dois homens em cena pode causar muito espanto aos mais conservadores.

No fim da cena vemos que Jinn sumiu e Salim descobre que em seus documentos agora existe uma licença para dirigir um táxi. Ele encontra o carro na saída do hotel e repete o mantra dito por Jinn no dia anterior: “Eu não realizo desejos”. Muitos notaram que Jinn, no episódio 1, tinha a mesma roupa que Salim. Resta saber o que isso significa.

A parte final do episódio temos Wednesday convidando Shadow a assaltar um banco. Obviamente o homem rejeita a ideia, mas logo fica claro que o assalto não seria nos moldes normais, se podemos assim dizer.

Wednesday manda Shadow pensar em neve, dizendo que isso ajudaria de alguma forma. Shadow não entende, mas momentos depois acaba percebendo que não parava de pensar em neve. Enquanto Wednesday faz alguns cartões e panfletos para algo misterioso, Shadow não para de pensar em neve. Ele adormece e sonha com cristais de neve se formando em todas as partes. Ao ser acordado por Wednesday, Shadow percebe que de fato está nevando na cidade inteira.

Perplexo, ele vai seguindo o velho deus pelas ruas. Wednesday está vestido com um uniforme parecido com um prestador de serviços do banco. Ele cola cartazes num caixa eletrônico e recolhe os depósitos das pessoas. Quando a policia chega, estranhando a situação, Wednesday dá um cartão com o número de um telefone público do outro lado da rua. Shadow atende e confirma a história dos policiais. E assim Wednesday consegue realizar um golpe e obter dinheiro sem ser pego.

O diálogo final dos dois é marcante, com Odin tentando convencer Shadow a acreditar no impossível. Shadow é cético, mas a cena final promete mudar isso nos demais episódios.

Lembram que eu falei sobre Mad Sweeney e sua falta de sorte? O problema se deu porque Shadow fica com a moeda da sorte dele. Se vocês lembram, Shadow joga esta moeda no túmulo de sua falecida esposa e informa isso a Mad. Quando o leprechaun chega no cemitério ele descobre que o túmulo está vazio.

Quando Shadow chega a um hotel, ao abrir a porta do quarto, Laura Moon está sentada em sua cama.

E agora? Terá Laura Moon ressuscitado graças a moeda de Mad Sweeney?

Vamos ver o que nos espera nos próximos episódios.